quarta-feira, 14 de abril de 2010

Quem sou eu?

As vezes fico pensando o que uma sociedade democrática acha, pensa, atribui à minha personalidade. Pois algumas vezes apontam-me coisas que parecem estar longe de minha real atribuição. A tristeza, a alegria, o ódio, o amor, a satisfação, o respeito, a gratidão parecem estar sempre perto de mim.
As vezes me comporto como um pai que se acorda de madrugada à pensar em seus filhos. Isso me acontece quando lembro que no dia seguinte tenho que manter a mesma satisfação que consegui no dia de hoje. Tento levar coisas que agradem o meu público, que sem eles eu não sou o profissional que acho que sou.
As vezes também trato-os com bastante rigor para que haja a educação esperada. Para que eles lembrem nas dificuldades da vida que eu ensinei desse jeito, o que é certo.
As vezes fico feliz por chegar no meu trabalho e alguns desses meus "filhos", chegarem e perguntarem como estou. E mesmo estando mal digo que está tudo bem, e fico feliz pro resto do dia.
As vezes fico triste por ser desrespeitado, humilhado por algumas pessoas que não sabem o que realmente quero. Quero viver, quero deixar algo de útil na minha geração. Quero dizer quando estiver velhinho: "Estão vendo esses governantes, juízes, comerciantes? Eu contribui para serem assim, honestos, eficazes, bem sucedidos".
Porém a tristeza é muito pouco perto da decepção. Para os meus queridos leitores cito aqui uma parte do Apólogo de Machado de Assis "... — Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico..." Eu sou a agulha que me esforço para abrir caminhos para algumas linhas que não reconhecem.
É o sentimento que quero passar agora. Ultimamente tenho sido "desocupado", "vagabundo", pois tento mostrar que sou formador de opinião e quero o que tenho de direito.
Também tenho sido forçado a não cobrar, pois o meu objetivo de formar cidadãos respeitadores e responsáveis, que tenham uma hierarquia parece ser contra a lei. Poderia falar sobre a lei também, mas isso me tomaria muito tempo e inutilmente, pois ela deixa lacunas que prejudica a maioria.
Quem sou eu?
Alguns colegas de profissão batem no peito dizendo "eu sou educador", mas o que é educar? É somente passar conteúdos? É fazer um relatório de média dos alunos?
Segundo o Michaélis é: educar e.du.car(lat educare) vtd 1 Ministrar educação a. vtd 2 Formar a inteligência, o coração e o espírito. Parece que a definição era o que gostaríamos que acontecesse, porém até mesmo os que deveriam achar que formar o coração faz parte da educação, são contra quando tentamos isso.
O que me conforta é que a maioria não serão alfinetes, que não fazem nada, onde é espetado fica. E que tem as linhas que agradecem a velha agulha.
Eu sou, pai, sou chato, sou amigo, sou feliz, as vezes odiado, as vezes amado, eu sou professor!

Clevilson Paulo

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